Resolução de Ano Novo

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Resolução de Ano Novo (antes que ele chegue)

Cada vez que é Ano Novo me sento para fazer as resoluções anuais que me remetem de volta a uma lição que aprendi com um notável professor. Quando eu tinha quase 30 anos eu fiz um curso sobre criatividade e inovação com Rochelle Myers e Michael Ray na Stanford Graduate School of Business, e mantive contato com eles depois que me formei.
Um dia, Rochelle apontou para o meu altíssimo ritmo de trabalho e disse: “Eu percebo, Jim, que você é uma pessoa bastante indisciplinada”.

Fiquei confuso e chocado. Afinal, eu era o tipo de pessoa que definia cuidadosamente minhas principais metas, os três principais objetivos e ações para o início de cada Ano Novo e etc. Eu me orgulhava da capacidade de trabalhar incansavelmente para alcançar objetivos, a aplicação da energia que eu herdei de minha avó dava e sobrava para tudo isso e mais um pouco.

“Seu nível de energia permite sua falta de disciplina”, continuou Rochelle. “Em vez de levar uma vida disciplinada, você leva uma vida muito ocupada.”

Ela então me deu o que eu vim à chamar de princípio 20-10. É mais ou menos assim: suponha que você acordasse amanhã e recebesse dois telefonemas. O primeiro telefonema dizia que você herdou $ 20 milhões, sem restrições nem regras. A segunda ligação diz que você tem uma doença incurável e terminal, e você não tem mais de 10 anos para viver. O que você faria diferente, e, especialmente: O que você pararia de fazer?

Isso representou uma grande mudança na minha vida, e a lista do “parar de fazer” se tornou um marco nas minhas resoluções de Ano Novo –  uma maneira de pensar disciplinadamente sobre como alocar o mais precioso de todos os nossos recursos: o tempo.

As palavras de Rochelle, obrigaram-me a ver o quanto eu tinha sido muito intenso, mas nas coisas erradas. Na verdade, eu estava no caminho totalmente errado.

Após a faculdade, eu estava empregado na Hewlett-Packard. Adorei a Companhia, mas odiava o trabalho. As palavras de Rochelle me ajudaram a ver que eu estava talhado para ser um professor, um pesquisador – e não um executivo – e eu precisava fazer uma curva em ângulo reto, uma mudança brusca.

Eu tive que parar de trabalhar na minha carreira para poder encontrar a minha verdadeira vocação. Eu pedi demissão da HP e fui para a Stanford Business School onde me tornei professor, felizmente labutando na minha pesquisa e escrita.

A lição de Rochelle, me veio a memória alguns anos mais tarde, enquanto, tentando analisar os dados de uma pesquisa em 11 empresas que transacionaram com sucesso da mediocridade à excelência, de boa a ótima. Na etapa de catalogação, uma das etapas-chave nessa pesquisa da transição, minha equipe de pesquisa e eu estavamos impressionados com a quantidade de empresas onde as grandes decisões não eram o que fazer, mas o que parar de fazer.

O caso, talvez o mais famoso, foi o de Darwin Smith, da Kimberly-Clark – um homem que havia sobrevivido a um câncer de garganta que disse um dia a sua esposa: “Eu aprendi algumas coisas com o meu câncer. Mas talvez a mais importante delas tenha sido: Se você tem um câncer no braço, você tem que ter a coragem de cortar o braço. Eu tomei uma decisão: Vamos vender as fábricas”.

Na época, a Kimberly-Clark tinha a maior parte das receitas advindas do negócio tradicional de papel. Mas Smith começou fazendo três perguntas importantes: Será que estamos apaixonados pelo negócio do papel? Podemos ser os melhores do mundo? O negócio de papel é o que melhor direciona nosso potencial de lucro?

A resposta veio: não, não e não.

E assim, Smith tomou a decisão de parar de atuar no ramo de papel e começou o processo de venda de equipamentos e estruturas que representavam 100 anos de sua história empresarial – e jogar todos os recursos resultantes para o negócio de bens de consumo (construção de marcas tais como Kleenex), e então vieram sim, sim e sim como resposta para as mesmas perguntas.

O Ano Novo é um momento perfeito para começar a fazer uma lista do que parar de fazer e fazer desta lista a pedra angular das suas resoluções de Ano Novo, seja para sua empresa, sua família ou para si mesmo. Ele também é um momento perfeito para esclarecer esse três pontos. Focando no nível pessoal as três perguntas feitas por Smith são as seguintes:

1) O que você faz com profunda paixão?
2) O que na rotina você foi criado para fazer e o que você está fazendo por fazer?
3) Quais das suas vocações tem um potencial de resultado econômico para sua vida?

Aqueles que encontrarem ou criarem uma intersecção prática desses três pontos tem uma boa base para o trabalho e para a vida.

Se você fizer um inventário de suas atividades hoje, qual o percentual do seu tempo que está fora desses três pontos?

Se for mais de 50%, então lista do “parar de fazer” pode ser sua ferramenta mais importante. A pergunta é: Será que o bom está suficiente ou você tem coragem de vender as fábricas?

Olhando para trás, vejo agora Rochelle Myers como uma das poucas pessoas que eu conheço que conseguem gerir de maneira nobre a sua vida enquanto realizam um trabalho verdadeiramente gratificante. Isso resultou em grande parte de sua simplicidade notável.

Uma casa simples. Uma programação simples. Um quadro simples para seu trabalho.

Rochelle me falou várias vezes sobre a idéia de “fazer da sua vida uma obra de arte criativa”.

Uma grande obra de arte é composta sim pelo que fica pronto na parte final, mas o que vem antes da conclusão é igualmente importante.

É a disciplina para descartar o que não se encaixa, para cortar o que pode ter custado dias ou mesmo anos de esforço: o que distingue o artista verdadeiramente excepcional e que marca a parte fundamental do trabalho; seja ele uma sinfonia, um romance, uma pintura , uma sociedade ou, o mais importante de tudo, uma vida.

Jim Collins

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